mercado de trabalho terceira idade

14-05-2020

Os desafios do mercado de trabalho na terceira idade

Veja o atual panorama que afeta o idoso no mercado de trabalho e entenda os principais desafios para a terceira idade se manter ativa.

 

O envelhecimento gradativo da população brasileira gera novos desafios, seja para as políticas públicas, as empresas ou para a sociedade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018), entre 2012 e 2018 a população considerada idosa aumentou em 4,8 milhões, totalizando 30,2 milhões. Isso representa, 15,4% da população brasileira.

Em relação à expectativa de vida, temos um aumento de 30,8 anos entre 1940 e 2018. Atualmente, a expectativa dos brasileiros é de 76,3 anos. No caso das mulheres, espera-se maior longevidade ainda: 79,9 anos. Já para os homens é de 72,8 anos. Em relação aos estados, Santa Catarina apresenta a maior esperança de vida média: 79,7 anos. O estado com a pior expectativa é o Maranhão com 71,1 anos (IBGE, 2018).

Isso tem feito com que a força de trabalho composta por pessoas acima dos 60 anos cresça cada vez mais. E esse aumento dos mais idosos na força de trabalho não ocorre porque tem aumentado o número destes trabalhadores que estão saindo da inatividade e retornando ao mercado de trabalho, mas sim porque vem recuando a parcela de idosos que decidem sair da força de trabalho e ir para a inatividade, independentemente de estarem ocupados ou não, conforme indica o IPEA (2018).

 

As novas regras da Previdência

A Nova Previdência, promulgada no final de 2019, trouxe uma série de modificações ao sistema previdenciário como, por exemplo, novas idades de aposentadoria, novo tempo mínimo de contribuição e regras de transição para quem já é segurado, dentre outras mudanças (Fonte: INSS, 2019). Algumas destas mudanças em relação à idade mínima e tempo de contribuição são:

  • Regime Geral de Previdência Social (RGPS): a regra geral de aposentadoria passa a exigir: mulheres (mínimo de 62 anos de idade e 15 anos de contribuição) e homens (mínimo de 65 anos de idade e 20 anos de contribuição). No caso dos homens que estiverem filiados ao RGPS antes de a emenda constitucional entrar em vigor, o tempo de contribuição mínimo permanecerá em 15 anos.
  • Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) da União (regime dos servidores públicos federais): a nova regra geral exigirá 62 anos de idade para mulheres e 65 para os homens, com pelo menos 25 anos de contribuição, 10 anos de serviço público e 5 anos no cargo em que se dará a aposentadoria.

Além da mudança em relação à idade mínima e tempo de serviço, há também alterações em relação às alíquotas. Essas questões previdenciárias, juntamente com outras questões mais complexas, têm gerado ou a permanência ativa por mais tempo das pessoas acima de 60 anos ou o estímulo do retorno ao trabalho pela terceira idade.

 

O idoso e o mercado de trabalho: principais desafios

A atual realidade tem mostrado que o mercado ainda não conseguiu entender o verdadeiro papel das pessoas acima dos 60 anos. Quando as empresas fazem alguma reestruturação com impactos no quadro de funcionários, os primeiros da lista costumam ser os colaboradores de faixa etária mais elevada que, muitas vezes, implica também nos maiores salários.

 

Despreparo das empresas

Durante a abertura de vagas para a seleção de novos candidatos, seja de maneira explícita (ilegal) ou implícita, a questão da idade muitas vezes é levada em consideração, apesar da Lei 9.029/1995 apresentar, logo no seu 1º artigo que ¨É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal”.

 

Tecnologia

Muitas pessoas e empresas pensam, erroneamente, que as pessoas mais velhas terão maiores dificuldades para se adaptarem à rotina tecnológica de um novo emprego. Porém, a realidade é que as pessoas mais velhas têm conseguido, ao longo dos últimos anos, uma gradual inclusão digital. Como qualquer novo colaborador, ela precisará de treinamento para usar alguns softwares ou plataformas, mas o abismo digital que marcava os jovens e mais idosos tem diminuído gradativamente.

 

Falta de oportunidades para a terceira idade

Para superar a falta de vagas para os mais velhos, o portal MaturiJobs tem uma proposta de reunir oportunidades de trabalho, desenvolvimento pessoal, capacitação profissional, empreendedorismo e networking para as pessoas mais maduras e experientes. Através dele as empresas podem cadastrar vagas (fixas ou temporárias) em busca de candidatos acima de 50 anos.

 

Além disso, as pessoas acima de 50 anos também podem cadastrar o currículo e procurar oportunidades utilizando diversos filtros para refinar a sua busca, tais como cargo/profissão, cidade, nível profissional, regime de contratação, dentre outros.

Seja por necessidade ou por desejo de se manter ativo trabalhando, continuar presente no mercado de trabalho pode ser bem desafiador na terceira idade. Porém, com a presença cada vez maior de pessoas acima dos 60 anos ainda trabalhando, certamente a tendência é que tais obstáculos sejam ultrapassados, principalmente por parte das empresas. Está gostando de se informar cada vez mais? Separamos aqui um outro post “Especial coronavírus: tenho mais de 60. E agora?” que, certamente, vai te interessar.

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